Iraque Tá na Copa!
40 anos após sua primeira participação, os iraquianos chegam para surpreender em 2026.
Por Alexandre Paixão
Passadas décadas de guerras, ditadura e restrições na prática do futebol, o Iraque chega à América do Norte em 2026 para sua segunda participação em Copas do Mundo FIFA na história e quer mostrar ao mundo que pode ser mais uma seleção do Oriente Médio que sai como “zebra” da competição.
Chegada do futebol e a “Era de Ouro”
O futebol foi introduzido no Iraque no início do século XX, na época da influência inglesa no país, e rapidamente se consolidou como expressão cultural do país entre a população e era muito praticado nas áreas urbanas. No ano de 1948, a Federação Iraquiana de Futebol foi fundada e dois anos depois filiou-se à FIFA, permitindo sua participação em competições internacionais de maneira regular.
Após anos de pouca expressão no esporte, a seleção iraquiana viveu a chamada “era de ouro” no futebol, durante as décadas de 70 e 80, período marcado por uma geração mais qualificada e por uma organização mais estável dentro do futebol nacional. Não à toa, nesse tempo o Iraque foi extremamente vitorioso, conquistando três Copas do Golfo e quatro Copas Árabes, além da tão sonhada classificação inédita para a Copa do Mundo, em 1986.
O Iraque na Copa de 1986
Após frustrações nas eliminatórias em anos anteriores, os iraquianos finalmente conquistaram sua classificação para o Mundial que, coincidentemente, também foi sediado no México. O escolhido para comandar a seleção nessa jornada inédita foi o icônico técnico brasileiro - e antigo ídolo de Barcelona e Real Madrid - Evaristo de Macedo.
Os Leões da Mesopotâmia, como são chamados, enfrentaram Paraguai, Bélgica e o próprio México na fase de grupos e foram eliminados após disputar apenas essas três partidas, nas quais sofreram três derrotas, com apenas um gol marcado e quatro sofridos.
Apesar do desempenho pouco impressionante, esse grupo de jogadores ficou marcado na história do esporte iraquiano, principalmente o atacante Ahmed Radhi, autor do que é, até hoje, o único gol do Iraque em Copas do Mundo.
A ditadura Hussein e o futebol
A época ditatorial de Saddam Hussein no Iraque foi extremamente caótica, com guerras e crises que, inevitavelmente, influenciaram a prática do futebol no país. O esporte foi posto no comando de seu filho Uday Hussein, que, assim como o pai, não poupava esforços para usar a violência, o que marcou uma época de torturas e abusos entre os jogadores.
Durante os 19 anos de comando de Uday - de 1984 até 2003 - vários atletas sofreram com sua maldade e falta de controle, quando se tratava das punições. Relatos de jogadores da época evidenciam que o filho de Saddam Hussein torturava os esportistas de inúmeras formas, que incluíam espancamento diário com cabo elétrico, tiro no pé e chutes em bolas de concreto.
As autoridades do futebol tinham ciência do que ocorria no regime de Uday, mas por conta da manipulação que tomava conta na época, ignoravam e não agiam para impedir o presidente da federação. Somente após sua morte, em 2003, começaram a investigar a brutalidade que acontecia, encontrando evidências de pelo menos 50 atletas assassinados pelo comando de Hussein.
Além da violência com os jogadores, a ditadura também influenciou na prática do futebol por conta dos conflitos internacionais. Um exemplo disso foi o longo tempo em que a seleção não era autorizada a usar os estádios locais para suas partidas, já que a FIFA e a Federação Asiática, por questões de segurança, impediam a realização de jogos de futebol em território iraquiano, o que dificultou a ascensão esportiva do país e a formação de atletas.
A recuperação pós regime
Após o fim do tempo ditatorial de Saddam Hussein, o Iraque teve dificuldades para voltar a se estabelecer dentro do futebol, mas surpreendeu o continente após conquistar a Copa da Ásia, no ano de 2007.
Mais uma vez comandados por um brasileiro, dessa vez o desconhecido Jorvan Vieira, os iraquianos não entraram na competição como favoritos - longe disso - mas superaram fortes candidatos ao título na jornada e chegaram à conquista mais importante de sua história.
Mais recentemente, os Leões da Mesopotâmia venceram outro título importante para sua história: a Copa do Golfo em 2023. No mesmo ano em que comemoravam ser a sede de uma competição entre clubes de futebol depois de 44 anos, os iraquianos conseguiram chegar ao troféu diante de sua população, que lotou os estádios em todas as oportunidades.
A volta ao cenário mundial
O Iraque passou por dificuldades para garantir sua vaga para a Copa do Mundo. Depois de não conseguir classificar diretamente pelas eliminatórias asiáticas, a seleção ainda precisou passar por uma partida de repescagem contra a Bolívia para decidir a classificação. Os iraquianos venceram por 2 a 1 e conseguiram, finalmente, comemorar a sua segunda participação em Copas.
Hoje comandados pelo australiano Graham Arnold, que foi o treinador de seu país natal em 2022, os Leões da Mesopotâmia querem fazer diferente do que foi a primeira participação e, dessa vez, chegar longe e surpreender o mundo todo com seu futebol.
No Grupo I da Copa do Mundo FIFA de 2026 o Iraque enfrentará a Noruega, a França e o Senegal. Veja a seguir, o calendário de jogos da seleção iraquiana:
16/06/2026; Iraque x Noruega | Gillette Stadium - Foxborough [19:00 BRT].
22/06/2026; França x Iraque | Lincoln Field - Filadélfia [18:00 BRT].
26/06/2026; Senegal x Iraque | BMO Field - Toronto [16:00 BRT].








